Uma campanha pela preservação das fontes de água de São Paulo

Guarapiranga

A Guarapiranga é um dos principais mananciais da Região Metropolitana de São Paulo, drena uma área total de 63.911 hectares. Abastece 3,8 milhões de pessoas residentes na zona sudoeste da capital paulista, incluindo as regiões de Santo Amaro, Morumbi, Pinheiros e Butantã. É também o mais ameaçado entre todos os que abastecem a RMSP. O quadro é preocupante. A população que vive ao redor da represa aumentou em quase 40% nos últimos anos (1991 e 2000) e é estimada em 800 mil pessoas. Veja mais sobre a Guarapiranga aqui .

A qualidade das águas dos rios e da represa piora ano a ano. Isto porque apenas metade dos habitantes da região tem algum sistema de coleta de esgotos e a maioria do esgoto coletado continua sendo despejada na represa. O custo de tratamento desta água é altíssimo.

 

Em 2003, mais da metade da área total da Bacia Hidrográfica da Guarapiranga encontrava-se alterada por atividades humanas. Parte dessa alteração (16%) diz respeito aos usos urbanos, e o restante a usos diversos, como agricultura, mineração e solo exposto. As áreas com vegetação remanescente de Mata Atlântica - essenciais para a manutenção da capacidade de produção hídrica e para o equilíbrio ambiental da região - ocupavam, em 2003, apenas 37% da área da bacia. Entre 1989 e 2003, as áreas urbanas aumentaram em 19%, e mais da metade deste crescimento se deu sobre áreas com severas restrições à ocupação. A situação é tão grave e descontrolada que nem as Áreas de Preservação Permanente (APPs) - protegidas por leis federal e estadual por serem áreas ambientalmente mais frágeis, como o entorno de rios e nascentes - foram poupadas. Parcela significativa destas áreas encontra-se ocupada por usos humanos, com sérias conseqüências para a produção de água.

No período entre 1989 e 2005 a área ocupada pelo espelho d’água do reservatório diminuiu consideravelmente (20%), e a quantidade de água na represa manteve-se em níveis próximos à metade da sua capacidade de armazenamento. Em 2005, a quantidade de chuvas foi maior, mas mesmo assim insuficiente para que a represa chegue a níveis muito superiores a 70% de sua capacidade de armazenar água.

A diminuição da quantidade de água na represa traz uma série de conseqüências, desde problemas de qualidade traduzidos na menor diluição da poluição e aumento da quantidade de algas na represa - com reflexos no custo de tratamento e dificuldades crescentes para conter o gosto e odor da água tratada - até prejuízos enormes para os clubes e marinas do seu entorno, que sofrem com a falta de freqüentadores.


Na década de 90, os investimentos em recuperação ambiental e saneamento se deram principalmente pelo Programa de Saneamento Ambiental da Guarapiranga com um gasto total de US$ 300 milhões, financiados pelo Banco Interamericano de Recuperação e Desenvolvimento (Bird), Sabesp, Prefeitura de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. No entanto, os processos de degradação continuam ocorrendo, seja através de novos núcleos urbanos, seja através do desmatamento de áreas de Mata Atlântica para a produção de carvão e degradação das APPs, e mesmo pelas condições precárias de saneamento básico na Bacia.


A melhoria das condições socioambientais da Guarapiranga é urgente, uma vez que a Região Metropolitana de São Paulo dispõe de poucas fontes de água com qualidade e quantidade adequadas para o abastecimento público. No início de 2006, ano do centenário da Guarapiranga, foi aprovada uma nova lei que tem como objetivo proteger e recuperar a região, e se constitui no marco inicial para reverter o processo de degradação e garantir o uso desta importante represa para abastecimento público. A Lei Específica da Bacia da Guarapiranga (n° 12.233/2006 ), assim como as ações necessárias para reverter a degradação, dependem de um pacto entre os atores envolvidos e de uma política efetiva de proteção destas áreas, que priorize ações preventivas e de valorização do serviço ambiental prestado pelas áreas de mananciais.