Guarapiranga :: Histórico
A represa da Guarapiranga foi construída através do represamento do Rio Guarapiranga pela Companhia Light & Power com finalidade energética. A construção da barragem foi iniciada em 1906 e terminou em 1909. O lago ficou com um perímetro de 85 km, inundando uma área de 34 km² (3.400 hectares). Na sua parte mais funda, perto da barragem, a profundidade era de 13 m de profundidade, e no restante a média era de 6 m.
A partir de 1928, a represa da Guarapiranga tornou-se a principal fonte de água para abastecimento público de São Paulo, mediante o fornecimento de 86,4 milhões de litros de água por dia (vazão média de 1 m³/s) para a estação de tratamento de água de Teodoro Ramos.
Em 1958, com a construção da estação de tratamento do Alto da Boa Vista, a represa passou a fornecer 9,5 m³/s, tornando obrigatória a elevação do nível da lâmina d’água. Na época das cheias, o reservatório era mantido em níveis bem abaixo do máximo, possibilitando a regularização das enchentes. Quando havia excesso de chuva, eram utilizados os descarregadores de fundo, que são os túneis que ligam a represa ao canal do Pinheiros.
Em 1976 houve uma cheia excepcional. O nível da represa subiu tanto que foi preciso reforçar a barragem com sacos de areia, bem como reformular o sistema de extravasamento de água para que não houvesse transbordamento e inundação da região de Socorro, ou pior ainda, ruísse a barragem. Se isso acontecesse, a área alagada se estenderia até a região da Avenida Brasil.
Eventos históricos também tiveram palco nas águas da Guarapiranga. Digno de nota é o pouso do aviador italiano De Penedo na primeira travessia do Atlântico Sul em 1926. A prática de iatismo na represa também merece destaque e vários campeões olímpicos brasileiros fizeram escola nas suas águas.
A tendência de ocupação do entorno da represa foi marcada, na década de 20, por edificações residenciais e clubes, atraídos por ofertas de lazer e pela qualidade da paisagem. Os loteamentos da década de 30 e 40 deram continuidade aos loteamentos com a mesma finalidade, mas com maior oferta de lotes. Nos anos 50 e 60, aumentam as ofertas de loteamentos residenciais. Também eram comuns na região as chácaras, marinas e até instalações religiosas.
Os primeiros alertas para a degradação da qualidade da água e da região da bacia foram feitos na década de cinqüenta, quando a Sociedade Amigos de Interlagos já pedia a construção de um coletor (ou interceptor) de esgotos na margem direita.
A partir da década de 70, núcleos urbanos precários começam a se instalar no território, caracterizados por lotes menores, inexistência de infraestrutura e densidades populacionais maiores. No final dos anos 80, a ocupação do entorno já causa impactos na represa. As florações de algas – resultantes da grande quantidade de matéria orgânica proveniente do despejo de esgotos na água – causam entupimentos dos filtros na captação de água e ameaçam o abastecimento de água de três milhões de pessoas. Uma grande mortandade de peixes, noticiada em todos os veículos de comunicação, deu o alerta sobre a saúde da represa.
Naquele momento, o governo estadual iniciou a elaboração de um programa de recuperação ambiental da região. Este programa, conhecido como Programa Guarapiranga, foi implantado durante a década de 90 e contou com recursos do Banco Mundial. Foram investidos mais de US$ 300 milhões na região, principalmente em redes de esgoto e reurbanização de favelas.
Os investimentos, no entanto, se mostraram insuficientes, uma vez que a qualidade da água piorou ao longo dos anos e a quantidade de água disponível encontra-se cada vez mais comprometida em função dos diversos processos de degradação existentes, entre eles erosão, assoreamento, poluição, desmatamento e retirada de grandes volumes de água da represa para abastecimento.
Com o objetivo de regularizar a vazão da Represa Guarapiranga, que já vinha sendo explorada acima de sua capacidade ao longo dos anos, foi construída a interligação do braço Taquacetuba da represa Billings com o rio Parelheiros, afluente da margem direita da Guarapiranga. O projeto previa a adução de dois mil litros por segundo, em uma primeira etapa, quantidade que, após a realização de testes para a comprovação de que a transposição traria impactos positivos para a Guarapiranga, poderia dobrar. Em função dos períodos de estiagem dos últimos anos, o Taquacetuba vem sendo usado no máximo de sua capacidade.
